Pesquisa

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Até as 22h ou até às 22h?

Até as 22h ou até às 22h?


"O resultado das eleições será conhecido até as 22h".A maioria dos estudantes, ao escrever uma frase parecida com a apresentada no título, ficaria em dúvida quando a colocar ou não o acento grave indicador de crase em "as 22h". Acredito que colocariam o acento. E você, caro internauta, colocaria o acento grave ou não? Vamos à explicação: o vocábulo crase provém do grego krâsis, cujo significado é ação de misturar, mistura de elementos que se combinam num todo. Para nós, lusófonos, é a contração da preposição a com os artigos definidos a, as ou com os pronomes demonstrativos a, as, aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo:
a + a = à
a + as = às
a + aquele = àquele
a + aqueles = àqueles
a + aquela = àquela
a + aquelas = àquelas
a + aquilo = àquilo

Vejamos alguns exemplos:

1. "Nunca obedeci àquele homem, pois não o respeito" (quem obedece, obedece a alguém);
2. "Assisti à peça teatral escrita por Mário Bortoloto" (quem assiste, no sentido de ver, assiste a algo);
3. "Não aspiro àquela vaga, mas à que foi ocupada por Oriolando" (quem aspira, no sentido de desejar muito, aspira a algo);
4. "Cheguei ao cinema às 19h50" (chegar, ao indicar hora exata, exige a preposição a).Ocorre, porém, que, em muitas situações, outra preposição é usada, e não o a. Quando isso ocorrer, não haverá o acento indicador de crase, em virtude da falta da preposição a.

Vejamos alguns exemplos:

1. "Cheguei após as 7h": não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição após;

2. "Estou aqui desde as 7h": não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição desde.Há, porém, uma preposição que admite a preposição a ao seu lado: é a preposição até.

Vejamos alguns exemplos:

1. "Ontem, fomos até o parque caminhar" (ou até ao parque);
2. "Dormi até o meio-dia" (ou até ao meio-dia).Tal combinação não é obrigatória; é, aliás, desnecessária. A combinação de até com a acontece com o objetivo de evitar ambigüidade, ou seja, evitar duplo sentido na frase, pois o vocábulo até, além de ser preposição, também pode ser advérbio com o sentido de inclusive. Às vezes, não há como saber qual dos dois foi usado.

Veja o seguinte exemplo:

"A enchente inundou o bairro todo, até a igreja"

Não dá para saber o sentido exato da frase. Há duas situações:- A enchente inundou o bairro todo, mas não a igreja: chegou até ela e parou;

- A enchente inundou o bairro todo, inclusive a igreja.Se a primeira opção for a verdadeira, até é preposição; se for a segunda, advérbio. Caso a verdadeira seja a primeira opção, recomenda-se o uso da preposição a em combinação com até, evitando, assim, o duplo sentido: "A enchente inundou o bairro todo, até à igreja".Caso a verdadeira seja a segunda opção, recomenda-se o uso de inclusive: "A enchente inundou o bairro todo, inclusive a igreja".A frase apresentada no início do texto não apresenta ambigüidade. Pode-se, portanto, usar o acento indicador de crase, mas não há necessidade dele.


Artigo retirado da página de gramática do uol.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Desperdício!

39% das bolsas do ProUni ficam ociosas

Candidatos não conseguiram preencher os pré-requisitos necessários.
Segunda chamada será anunciada no dia 14 de julho.

Do G1, em São Paulo




Trinta e nove porcento das bolsas de estudos que foram ofertadas no Programa Universidade para Todos (ProUni) para o segundo semestre de 2008 ficaram ociosas. Segundo a Secretaria da Educação Superior (Sesu) do MEC, das 119.529 bolsas oferecidas para o segundo semestre deste ano, 46.623 não foram preeenchidas na primeira chamada do ProUni, divulgada no dia 18 de junho.

O principal problema para o não preenchimento das vagas, segundo o Ministério da Educação, é a renda familiar (por pessoa) do candidato ser maior que a autorizada no programa (que é de três salários mínimos para bolsas de 50% e de um salário e meio para bolsas integrais) e a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ser menor que a exigida (45 pontos).

De acordo com a Sesu, do total de vagas ociosas no programa, 88% são bolsas adicionais (17.572) e complementares (23.677) de desconto de 25%, ofertadas pelas instituições sob critérios próprios, sem impacto sob a isenção fiscal do programa.

Segundo a Sesu, 2.676 (6%) das vagas não preenchidas são bolsas integrais, sendo que 2.610 são oferecidas na modalidade EAD. Os outros 6% são bolsas parciais de 50% e complementares de 25%. Ainda segundo a Sesu, a concentração das bolsas sem demanda encontram-se nos cursos de administração, ciências contábeis, pedagogia, turismo e economia.

Confirmação dos dados

Como o prazo de confirmação dos dados dos pré-selecionados na primeira chamada ainda não terminou, o número de bolsas ociosas ainda pode variar.

Os candidatos pré-selecionados têm até o dia 4 de julho para procurar a instituição de ensino em que se inscreveram para confirmar os dados informados no período de inscrição (como a questão da renda). Clique no link abaixo para consultar os selecionados:

1ª chamada do ProUni

Neste processo seletivo do ProUni, 208.181 candidatos se inscreveram para concorrer às 119.529 bolsas (45.198 integrais, 15.196 parciais e 28.882 adicionais -sem isenção de impostos para as instituições) que o ProUni oferece. Também são distribuídas 30.253 bolsas complementares de 25% do total da mensalidade. Mais informações podem ser obtidas no site www.mec.gov.br/prouni.

Os candidatos que não foram selecionados na primeira chamada ainda têm chance no dia 14 de julho, quando serão divulgados os pré-selecionados em segunda chamada, e no dia 24 de julho, quando será anunciada a terceira chamada.

A família e a escola

Opinião: A família e a escola

Escolas ocupam lugar de autoridade na vida das pessoas.
Por isso, é importante ter uma relação de respeito e confiança.


A família e a escola (Foto: Editoria de Arte/G1)

Semana passada, escrevi sobre a importância de os pais entrarem em acordo na criação de seus filhos. Seguindo uma linha de conduta consensual e tranqüila, ajudam as crianças a lidarem melhor com o sentimento de insegurança em relação ao mundo. Assim, nenhum dos dois, importantes figuras de identificação e de autoridade, perderá a confiança dos pequenos. O mesmo podemos dizer das escolas e de seus profissionais. Eles também ocupam esse lugar de figuras de identificação e de autoridade na vida das pessoas.

Escola e família devem estabelecer uma relação pautada no respeito, na confiança e na troca de idéias. Aprender depende muito da identificação dos alunos com aquele que ensina. Quantos vão bem numa determinada matéria por gostar do professor? Para que isso ocorra, precisa haver atitudes positivas da família para com a escola que, por sua vez, deve ter consideração pelos diferentes públicos que atende. Simples e óbvio, não? Nem sempre.


Há exageros de ambas as partes. As escolas vêm perdendo o status de autoridade, já que algumas famílias contestam qualquer atitude delas em relação aos seus filhos. Muitos consideram desrespeito estabelecer regras e exigir o cumprimento. Pais assim não atentam para o fato de que regras são necessárias para a convivência em grupo. E é no ambiente escolar que os pequenos iniciam a ampliação da convivência social, passo importante no processo de crescimento e socialização.

Nos casos em que se confronta e desautoriza a escola, sua imagem vai se desgastando e o resultado inevitável é a perda do respeito. Se os pais, figuras de autoridade máxima, não aceitam a sua linha de conduta, os filhos menos ainda. O que não quer dizer que eles não devam ficar atentos e intervir diante de condutas inadequadas que a escola possa vir a ter.

A escola não é absoluta
O inverso também é notado por parte de algumas instituições. Uma coisa é o professor ou diretor conversar sobre determinada transgressão. Outra é ser desrespeitoso, usando de palavreado ofensivo ou medidas punitivas além do indicado. A instituição de ensino não é absoluta. É um lugar onde se deve exercitar o pensar, inclusive o de suas próprias ações.

Quando a escola se coloca como detentora da verdade, é sinal de que não está cumprindo bem o seu papel. E, nesse aspecto, algumas se excedem. Qualquer aluno fora do padrão esperado é visto como problema. E tome discurso sobre a má criação da família, não raramente com explicações psicológicas que os próprios profissionais da área não ousariam dar.

Diante de uma situação assim, outra coisa bastante comum é a argumentação de que determinada criança não serve para a escola. Em verdade, o que ocorre é o oposto: a escola é que não está apta para aquele aluno - o que, aliás, não é demérito.

Nenhuma instituição, ou mesmo profissional, pode se dizer preparado o suficiente para toda e qualquer situação. E, ao julgar o aluno culpado, não está contribuindo em nada para seu crescimento e formação. Pode, inclusive, dar margem a um outro tipo de problema, ainda mais grave, como o de colocar no individuo um estigma de fracasso, prejudicando-o pela vida. Jamais devemos perder de vista que o principal desafio da escola é promover o aprendizado, para todo e qualquer tipo de aluno de que ela esteja preparada.

Família e escola devem se unir na difícil tarefa de formar pessoas. Isso dá trabalho e requer reflexão constante sobre o mundo e os seres humanos. Por isso, quando escolhemos uma instituição educacional para nossos filhos, é importante termos consciência do que desejamos para eles e se os valores que a permeiam estejam de acordo com os nossos.

A instituição por sua vez deve ser franca e objetiva, de modo a esclarecer o que realmente pode oferecer para as famílias que a procuram. Começando uma relação assim, por meio de um diálogo esclarecedor, muitos dissabores podem ser evitados para as crianças e adolescentes.

(Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga)

Artigo retirado do g1 do globo.com

Quando vale a pena para a criança reprovar o ano.

Opinião: Quando vale a pena para a criança reprovar o ano

Há estudantes que não têm maturidade para acompanhar a série.
Outros precisam apenas de estímulo dos pais e da escola.

Ana Cássia Maturano Especial para o G1

Foto: Arte/G1 Foto: Arte/G1

Na reta final do ano letivo, pais devem apoiar seus filhos. Às vezes, repetir o ano pode ser uma boa saída .

Estamos na reta final do ano letivo. Muitos alunos ainda não sabem se conseguirão notas suficientes para serem promovidos para a série seguinte. Em algumas casas, a família está toda empenhada para que o filho consiga passar de ano. Algumas montam esquemas mirabolantes para garantir sua promoção. Até que ponto tudo isso vale a pena? Até o ponto que não vai além do que a criança pode oferecer. Algo difícil de sabermos, pois não temos muita noção de nossas possibilidades, ainda mais das dos outros.

Nenhum pai gostaria que seu filho ficasse retido numa série – isso significaria um fracasso da criança e da própria família. Como se, além de não criar um filho brilhante, os pais não soubessem orientá-lo nos estudos. Então, os pais lutam com muita garra para reverter a situação e, às vezes, projetam na escola a responsabilidade pela situação em que o aluno se encontra.

Só que as coisas não são bem assim. Aprender envolve várias aspectos do ser humano – físico, mental, emocional, social e cultural. Sobretudo maturidade. Há casos em que a criança é muito novinha para a série em que se encontra. Passa todos os anos 'raspando', dependendo da boa vontade do professor.



A criança não é tola. Percebe o quanto aprender os conteúdos escolares é difícil. A idéia que fará de si é que não é capaz para seguir com as próprias pernas. Como se o que exigissem dela estivesse sempre além de sua capacidade. Para uma criança assim, ficar retida um ano pode ser uma grande ajuda, pois ela vai encontrar um nível de dificuldade de acordo com sua maturidade. Quando perceber que dá conta do recado, provavelmente se sentirá muito mais confiante e aprender se tornará mais fácil no futuro.

Hoje, devido a legislação vigente, é comum a defasagem idade/série. Temos na mesma série crianças com quase um ano de diferença, acompanhando o mesmo programa. Para o desenvolvimento infantil, um ano conta muito. Uma criança de sete anos é diferente de uma de seis, mas muitas estão aprendendo juntas. As possibilidades de aprender da mais velha são maiores.

Mau ano

Algumas crianças tiveram um mau ano. Por diferentes razões como, por exemplo, terem passado por algum drama familiar ou por haverem mudado de escola, não conseguiram o bom desempenho de períodos anteriores. Mas elas têm condições de se recuperarem com ajuda. Nem sempre o que os pais podem oferecer será suficiente. É nessa hora que a família deve recorrer a um professor particular. Para esta criança, devido aos problemas pelos quais passou, não é nada interessante a retenção na série. Se ela conseguir ser promovida, poderá ser positivo para a recuperação de seu ânimo.

Existem, por outro lado, aquelas crianças que sempre tiveram dificuldade para aprender. Nunca conseguem um bom desempenho, carregando por vezes repetências, que lhes afirmam o quanto não são capazes. Para essas, não adianta simplesmente um professor ou um esquema exagerado para obter notas. Muito menos os pais fazerem trabalhos escolares para elas! A responsabilidade de estudo é sempre da criança.

Para quem tem muita dificuldade, o melhor é procurar um profissional especializado que, com tempo, poderá compreender os motivos do não-aprender e sugerir o melhor tratamento - o que não se dará na confusão que é o final do ano.

Tem também aqueles que não estudaram nada durante o ano e contam com a sorte. Quem sabe se eles encararem a responsabilidade, sem a interferência dos pais para ajudá-los ou atrapalhá-los, aprenderão se podem confiar na sorte ou não?

Sem querer esgotar o assunto, falamos dos casos de maneira geral. A melhor solução para cada criança deve ser discutida com a escola. Na dúvida, vale procurar um profissional especializado em aprendizagem.

Muitos pais são contra a retenção por considerarem que a criança perderá um ano. Às vezes, é um tempo ganho em maturidade e confiança. Melhor que ficar empurrando o problema que em algum momento vai se manifestar, trazendo conseqüências mais graves. Outras vezes a retenção não é interessante, pois ela afetará demais uma criança já desanimada ou com baixa auto-estima.

Refazer uma série não deve ser visto como punição, mas como algo necessário naquele momento. Para um ou outro caso, o envolvimento e apoio da família é de extrema importância. E o próximo ano será mais fácil se suas dificuldades forem acompanhadas desde o início.

(Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga)

Artigo retirado do g1 do globo.com